O câncer de Sistema Nervoso Central constitui a décima neoplasia mais comum encontrada tanto em mulheres quanto em homens em nosso país, quando excluídos os cânceres de pele não melanoma, com uma estimativa de 11.100 novos casos em 2020 no Brasil.

Existem diversos tipos de tumores primários que podem acometer o cérebro, e dentre eles podemos destacar os astrocitomas, os oligodendrogliomas, os glioblastomas, os ependimomasos e os meduloblastomas, 

Quais são os fatores que podem levar ao desenvolvimento do câncer de cérebro?

As causas do desenvolvimento deste tipo de câncer são ainda incompletamente compreendidas, devendo ser multifatorial, iniciando-se através ddo somatório de mutações do DNA de células sadias, que passam a se multiplicar de forma descontrolada, invadindo tecidos próximos, ou até mesmo migrando para outras partes do corpo e estabelecendo novos tumores distantes daquele original (metástases).

São fatores de risco bem conhecidos para o desenvolvimento do câncer de cérebro:

  • Deficiência do Sistema Imunológico- através de infecções, medicamentos ou drogas. 
  • Exposição à radiação ionizante- em profissionais que lidam com Raios-X, pessoas que receberam radioterapia ou muitos exames com radiação (tomografia).

 

Causas ambientais e ocupacionais relacionadas ao maior risco:

  • Exposição a arsênico, chumbo, mercúrio, óleo mineral e HPA.
  • Trabalhar em indústria petroquímica, de borracha, plástico, gráfica, papel, têxtil, agrotóxicos, refinaria, usina nuclear, produção e reparo de veículos a motor, na prestação de serviços elétricos e de telefonia e na agricultura.
  • Campos magnéticos de muita baixa frequência (< 3 mG) parecem estar ligados a glioblastomas em homens, mas não em mulheres.

 

Quais médicos tratam o câncer de cérebro?

Dependendo das características do paciente e do tumor, diferentes especialistas médicos podem fazer parte da equipe de tratamento, incluindo:

  • Neurocirurgião: cirurgiões especialistas no tratamento de doenças do Sistema Nervoso Central.
  • Rádio-oncologista ou Radioterapeuta: médico que trata do câncer utilizando radiações através de fontes seladas.
  • Oncologista Clínico: médico que trata do câncer com remédios como quimioterapia, hormonioterapia e imunoterapia.

Outros especialistas poderão participar do time de tratamento, incluindo outros médicos, enfermeiras, psicólogos, assistentes sociais, especialistas em nutrição, especialistas em reabilitação, e outros profissionais da saúde.

 

Decisão do Tratamento

A escolha do tratamento para o câncer de cérebro depende de uma série de variáveis, e é importante discutir com os médicos os objetivos e efeitos colaterais possíveis. São coisas importantes para serem consideradas:

  • O tipo do tumor
  • O estágio e grau do tumor
  • Idade do paciente e expectativa de vida
  • Outras doenças que a paciente possua
  • A chance de cura ou qual benefício o tratamento trará
  • Expectativas do paciente

Idealmente, para a decisão do tratamento é importante consultar toda a equipe médica para conhecer as melhores opções possíveis para o seu caso.

 

Opções de Tratamento

A depender do estágio da doença, há diversas opções de tratamento.

  • Cirurgia

A cirurgia é uma das principais modalidades de tratamento do câncer de encéfalo. A papel do cirurgião é de suma relevância, indo desde estabelecer a hipótese de câncer através da história e exame físico do paciente, da requisição e realização de exames subsidiários e biópsias, passando pela ressecção com finalidade curativa do fragmento acometido pelo tumor.

 

Microneurocirurgia

 

  • Tratamentos Medicamentosos/ Sistêmicos

Enquanto a cirurgia foca diretamente em tratar o tumor, a terapia medicamentosa geralmente é recomendada para melhorar as taxas de cura e/ou sobrevida livre de doença, sendo o oncologista clínico o responsável por avaliar e determinar quais medicações podem ajudar mais. 

 

  • Radioterapia

A radioterapia possui um papel importante no tratamento do câncer de cérebro, uma vez que nem sempre são possíveis ressecções totais da lesão, e, mesmo quando isso é alcançado, dificilmente o cirurgião conseguirá dar margens adequadas de tecido sadio ao redor do tumor.

Diversas ocasiões é utilizada depois da cirurgia, naqueles pacientes cujo tumor possua fatores adversos. Muitas vezes é utilizada em conjunto com a quimioterapia.

Naqueles pacientes não candidatos à cirurgia, a radioterapia acaba sendo uma opção de tratamento.

 

E como funciona a radioterapia?

Existem algumas técnica de radioterapia que podem ser empregadas:  

-Teleterapia: É a técnica mais utilizada de radioterapia, envolvendo o uso de radiação (geralmente raios-X) de maneira focada, para matar as células tumorais, em um aparelho chamado Acelerador Linear. O tecido sadio circunjacente pode ser afetado também, porém as células normais possuem maior capacidade de se curar dos efeitos da radiação do que o tumor. Novas tecnologias em radioterapia, como o IMRT e o VMAT, também permitem a diminuição da dose de radiação nos órgãos de risco encefálicos. Tradicionalmente o tratamento dura cerca de 5- 30 sessões, podendo ser associada à quimioterapia.

A teleterapia pode ainda ser empregada na paliação de pacientes com sintomas locais, metástases, ou no tratamento ablativo de oligometástases.

 

Acelerador Linear

 

-Braquiterapia: Envolve o uso de radiação através de fontes radioativas que são empregadas para tratar diretamente o tumor através de aplicadores temporários ou implantes de fontes radioativas. Isso é realizado logo após a ressecção do tumor. Esta técnica é pouco utilizada, devido à falta de evidência de benefício clínico superior em relação à teleterapia.

 

Etapas para a realização da radioterapia

Uma vez já havendo a indicação da radioterapia para a paciente com câncer de cérebro pelo médico rádio-oncologista, existem passos a serem realizados antes do início efetivo do tratamento, o que pode muitas vezes levar cerca de uma ou duas semanas, a depender da complexidade do que necessita ser realizado. Sabe-se que há ansiedade do paciente para o início rápido do tratamento do câncer, mas para haver boas chances de cura os procedimentos precisam ser bem feitos.

Exames→ não é raro que o médico rádio-oncologista necessite de mais exames, tais como ressonância magnética, PET, dentre outros, para a correta definição do local a ser tratado, e também para melhor visualização de estruturas muito sensíveis a radiação. Estes exames podem ser pedidos antes do tratamento e durante o tratamento.

Tomografia de Simulação→ para a realização do planejamento do tratamento é necessária a realização de uma tomografia no próprio serviço de radioterapia onde o doente será tratado. A fim de imobilizar o paciente e reproduzir o posicionamento no dia-a-dia de tratamento, será confeccionada uma máscara termoplástica, que será também utilizada no dia-a-dia de tratamento. Após a realização do exame, o paciente é dispensado para ir para casa e aguardar a convocação para o tratamento.

Máscara termoplástica

 

Planejamento do Tratamento→ é uma etapa que é feita sem o paciente estar presente. As imagens adquiridas na tomografia de simulação são transferidas para um sistema computadorizado, e nele o médico rádio-oncologista definirá as regiões a serem tratadas e as regiões que não podem receber doses elevadas de radiação. Uma vez feito isto, os dosimetristas e físicos médicos elaboram um plano de como o Acelerador Linear (máquina de radioterapia) se comportará para alcançar os objetivos estabelecidos pelo médico. Estando pronto o plano, ele é revisto pelo rádio-oncologista, que aprova o plano ou sugere novas modificações, até a aprovação final.

Controle de Qualidade→ nesta etapa é verificado se o que foi planejado do sistema computadorizado pode ser realizado de maneira igual na máquina de radioterapia.

Tratamento→ o paciente então é convocado e inicia o tratamento no Acelerador Linear. A administração da radiação é realizada pelo técnico/ tecnólogo em radioterapia, com cada sessão de radioterapia durando entre 10 e 30 minutos. Existem vários esquemas de tratamento que podem ser  realizados, a ser definido pelo rádio-oncologista conforme o caso. Durante o tratamento o paciente deve passar semanalmente em consulta com o médico rádio-oncologista, e muitas vezes com outros membros da equipe multiprofissional. 

 

Efeitos Colaterais da Radioterapia

Os efeitos colaterais dependem da região sendo tratada, da dose de radiação utilizada e da sensibilidade individual da paciente à radiação. Os efeitos podem ser divididos entre agudos e crônicos. Os agudos, quando aparecem, costumam ocorrer por volta da segunda ou terceira semana de tratamento, podendo persistir por até 2 meses após o término da radioterapia. Os crônicos aparecem meses ou anos após o término da radioterapia. 

No tratamento do câncer de cérebro, vale a pena citar:

  • Fadiga
  • Perda permanente de cabelos
  • Letargia
  • Dor de cabeça
  • Fraqueza
  • Náusea e vômitos

 Se experimentar efeitos colaterais durante o tratamento ou após, não deixe de avisar o médico rádio-oncologista, pois podem existir medicamentos e/ou procedimentos que podem resolver ou mitigar os sintomas.

Referências:

https://www.inca.gov.br/

https://www.rtanswers.org

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A neoplasia maligna de testículo constitui 5% do total de casos de câncer entre os homens, com uma incidência de 3 a 5 casos por 100.000 indivíduos.

Acomete principalmente homens de 15 a 50 anos. Existem diversos tipos de câncer que podem acometer os testículos, e dentre eles podemos destacar o seminoma, o carcinoma embrionário, o coriocarcinoma, o teratoma, o tumor de saco vitelínico, o tumor de células de Leydig e o tumor de células de Sertoli.

Quais são os fatores que podem levar ao desenvolvimento do câncer de testículo?
O câncer de testículo inicia-se através de mutações do DNA de células sadias, que passam a se multiplicar de forma descontrolada, formando um tumor, que pode invadir tecidos próximos, ou até mesmo migrar para outras partes do corpo, estabelecendo novos tumores distantes daquele original (metástases).
São fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de testiculo:
• Criptorquidia (o testículo não ter descido até a bolsa escrotal, ficando na pélvis, canal inguinal ou região inguinal)
• História familiar
• Histórico pessoal de câncer
• Neoplasia intratubular de células germinativas

Quais são os sintomas do câncer de testículo?
Os sintomas podem variar conforme o estágio de descoberta do tumor. Dentre eles podemos destacar:

  • Nódulo ou inchaço indolor em qualquer um dos testículos.
  • Dor, desconforto ou dormência em um testículo ou escroto, com ou sem inchaço.
  • Mudança na sensação de um testículo ou sensação de peso no escroto.
  • Dor na parte inferior do abdômen ou virilha
  • Acúmulo repentino de fluido no escroto
  • Sensibilidade ou crescimento mamário.
  • Dor lombar, falta de ar, dor no peito e expectoração com sangue ou catarro podem ser sintomas de câncer testicular em estágio avançado.
  • Edema em uma ou ambas as pernas ou falta de ar devido a um coágulo sanguíneo.

O auto-exame realizado pelo homem, através da palpação dos testículos, tentando notar alguma irregularidade, é de suma importância para o diagnóstico precoce da doença.

Palpação do Testículo

 

Quais médicos tratam o câncer de testículo?
Diferentes especialistas médicos podem fazer parte da equipe de assistência ao paciente, a depender das características do tumor e do paciente:

Urologista/ Uro-oncologista: cirurgiões especialistas no tratamento de doenças do trato urogenital
Rádio-oncologista ou Radioterapeuta: médico que trata do câncer utilizando radiações através de fontes seladas.
Oncologista Clínico: médico que trata do câncer com medicamentos como quimioterapia, hormonioterapia e imunoterapia.

Outros especialistas poderão participar do time de tratamento, incluindo enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, especialistas em nutrição, especialistas em reabilitação, e outros profissionais da saúde.

Decisão do Tratamento
A escolha do tratamento para o câncer de testículo depende de uma série de variáveis, e é importante discutir com os médicos os objetivos e efeitos colaterais possíveis. São coisas importantes para serem consideradas:
• O tipo, estágio e grau do tumor
• Idade do paciente e expectativa de vida
• Outras doenças que a paciente possua
• A chance de cura ou qual benefício o tratamento trará
• Expectativas do paciente
Idealmente, para a decisão do tratamento é importante consultar toda a equipe médica para conhecer as melhores opções possíveis para o seu caso.

Opções de Tratamento
A depender do estágio da doença, e do tipo do tumor (seminomas vs não seminomas), diversas opções de tratamento podem ser utilizadas.

Cirurgia
A cirurgia é uma das principais modalidade de tratamento do câncer de testículo. A papel do cirurgião é de suma relevância, indo desde estabelecer a hipótese de câncer através da história e exame físico do paciente, da requisição e realização de exames subsidiários e biópsias (se necessárias), passando pela ressecção com finalidade curativa da região acometida pelo tumor.
No tratamento do câncer de testículo pode ser realizada a ressecção apenas do tumor, a retirada do testículo (orquiectomia), além da retirada de linfonodos comprometidos ou com chance de estarem comprometidos pela doença.

Tratamentos Medicamentosos/ Sistêmicos
Enquanto a cirurgia foca diretamente em tratar o tumor primário e adjacências, a terapia medicamentosa geralmente é recomendada para melhorar as taxas de cura quando o tumor é localizado, sendo o oncologista clínico o responsável por avaliar e determinar quais medicações podem ajudar mais. Em casos mais avançados, no qual exista metástases linfonodais ou metástases em outras localizações, acaba sendo a principal terapêutica.

Radioterapia
A radioterapia pode ser empregada no tratamento do câncer de testículo, especialmente nos casos de tumores do tipo seminoma/ seminomatosos.
Em casos iniciais de seminoma, estadio I, a radioterapia pode ser empregada após a cirurgia de retirar o testículo, no sentido de diminuir o risco da doença voltar, especialmente na região do abdômen.
Em estágio no qual ocorra acometimento de linfonodos abdominais menores que 3 cm, a radioterapia pode ser utilizada com finalidade curativa nos tumores seminomatosos.
A radioterapia pode ser empregada ainda no sentido de tratar metástases em pacientes sintomáticos ou com poucas metástases. É de grande serventia para paliar sintomas como dor, sangramento, compressão, dentre outros.


Acelerador Linear

 

E como funciona a radioterapia?
No tratamento do câncer de testículo pode ser utilizada principalmente a:
-Teleterapia: É a técnica mais utilizada de radioterapia, envolvendo o uso de radiação (geralmente raios-X) de maneira focada, para matar as células tumorais, em um aparelho chamado Acelerador Linear. Tradicionalmente o tratamento realizado após a orquiectomia, nos casos de seminoma, dura cerca de 10- 18 sessões.
A teleterapia pode ainda ser empregada na paliação de pacientes com sintomas locais, metástases, ou no tratamento ablativo de oligometástases.

Etapas para a realização da radioterapia
Uma vez já havendo o diagnóstico de câncer de testículo, e sendo a radioterapia uma das opções de tratamento optada pelo paciente, existem passos a serem realizados antes do início efetivo da irradiação, o que pode muitas vezes levar cerca de uma ou duas semanas, a depender da complexidade do que necessita ser realizado. Sabe-se que há ansiedade do paciente para o início rápido do tratamento do câncer, mas para haver boas chances de cura os procedimentos precisam ser bem feitos.
- Exames→ não é raro que o médico rádio-oncologista necessite de mais exames, tais como ressonância magnética, PET, dentre outros, para a correta definição do local a ser tratado, e também para melhor visualização de estruturas muito sensíveis a radiação. Estes exames podem ser pedidos antes do tratamento e durante o tratamento.
- Tomografia de Simulação→ para a realização do planejamento do tratamento é necessária a realização de uma tomografia no próprio serviço de radioterapia onde o doente será tratado. A fim de imobilizar o paciente e reproduzir o posicionamento no dia-a-dia de tratamento, poderão ser utilizados apoios para os pés, para os joelhos, ou realizada a confecção de um tipo de colchão que se amolda ao formato do corpo da paciente (VacFix ou Alpha-Craddle). Após a realização do exame, o paciente é dispensado para ir para casa e aguardar a convocação para o tratamento.
- Planejamento do Tratamento→ é uma etapa que é feita sem o paciente estar presente. As imagens adquiridas na tomografia de simulação são transferidas para um sistema computadorizado, e nele o médico rádio-oncologista definirá as regiões a serem tratadas e as regiões que não podem receber doses elevadas de radiação. Uma vez feito isto, os dosimetristas e físicos médicos elaboram um plano de como o Acelerador Linear (máquina de radioterapia) se comportará para alcançar os objetivos estabelecidos pelo médico. Estando pronto o plano, ele é revisto pelo rádio-oncologista, que aprova o plano ou sugere novas modificações, até a aprovação final.
- Controle de Qualidade→ nesta etapa é verificado se o que foi planejado do sistema computadorizado pode ser realizado de maneira igual na máquina de radioterapia.
- Tratamento→ o paciente então é convocado e inicia o tratamento no Acelerador Linear. A administração da radiação é realizada pelo técnico/ tecnólogo em radioterapia, com cada sessão de radioterapia durando entre 10 e 30 minutos. Existem vários esquemas de tratamento que podem ser realizados, a ser definido pelo rádio-oncologista conforme o caso. Durante o tratamento o paciente deve passar semanalmente em consulta com o médico rádio-oncologista, e muitas vezes com outros membros da equipe multiprofissional.

Efeitos Colaterais da Radioterapia
Os efeitos colaterais dependem da região sendo tratada, da dose de radiação utilizada e da sensibilidade individual da paciente à radiação. O efeitos podem ser divididos entre agudos e crônicos. Os agudos, quando aparecem, costumam ocorrer por volta da segunda ou terceira semana de tratamento, podendo persistir por até 2 meses após o término da radioterapia. Os crônicos aparecem meses ou anos após o término da radioterapia.
No tratamento do câncer de testículo seminomatoso, vale a pena citar:
• Náusea
• Irritação do intestino, com cólicas, pressão no reto ou diarreia
• Fadiga, na qual você se sente cansado grande parte do tempo
• Pode haver perda de pêlos na região púbica e abdominal, que pode ser permanente ou temporária
• Infertilidade/ Esterilidade é um risco.
• Há um pequeno aumento de risco de desenvolver um câncer secundário após anos ou décadas do tratamento, na região irradiada.

Se experimentar efeitos colaterais durante o tratamento ou após, não deixe de avisar o médico rádio-oncologista, pois podem existir medicamentos e/ou procedimentos que podem resolver ou mitigar os sintomas.
Referências:
https://www.inca.gov.br/
https://www.rtanswers.org
Perez CA, Brady LW, Halperin EC, et al., editors. Principles and practice of radiation oncology. 7th ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins; 2018

#seminoma #cancertesticular #abrillilas #radioterapia #cancerdetesticulo #dricarocarvalho #tumordetesticulo #tumor testicular #oncologia

 

A neoplasia maligna de cólon (intestino grosso) e de reto (parte final do intestino grosso) constitui o segundo câncer mais comum encontrado tanto em mulheres quanto em homens em nosso país, quando excluídos os cânceres de pele não melanoma, com uma estimativa de 41.010 novos casos em 2020 no Brasil.

O tipo mais comum de câncer que acomete tanto o cólon quanto o reto é o adenocarcinoma. 

 

Quais são os fatores que podem levar ao desenvolvimento do câncer colorretal?

O câncer colorretal inicia-se através de mutações do DNA de células sadias, que passam a se multiplicar de forma descontrolada, invadindo tecidos próximos, ou até mesmo migrando para outras partes do corpo e estabelecendo novos tumores distantes daquele original (metástases).

São fatores de risco para o desenvolvimento do câncer colorretal:

  • Idade maior que 50 anos. Apesar de haver um aumento de incidência em pacientes mais jovens nos últimos anos.
  • Ser afrodescendente.
  • Histórico pessoal de câncer colorretal prévio ou pólipos.
  • Condições inflamatórias intestinais.
  • Possuir algumas síndromes que aumentem o risco de desenvolvimento de câncer colorretal, tais como Polipose Adenomatosa Familiar e Síndrome de Lynch.
  • Histórico familiar de câncer colorretal.
  • Dieta pobre em fibras e rica em gordura.
  • Sedentarismo.
  • Diabetes.
  • Obesidade.
  • Tabagismo.
  • Alcoolismo.
  • Radioterapia prévia em região abdominal ou pélvica.
"Uma vida com hábitos diários e alimentares saudáveis é a chave para prevenir o câncer colorretal"

 

Quais médicos tratam o câncer colorretal?

Dependendo das características do paciente e do tumor, diferentes especialistas médicos podem fazer parte da equipe de tratamento, incluindo:

  • Coloproctologista/ Gastrocirurgião/ Cirurgião Oncológico/ Cirurgião Geral: cirurgiões especialistas no tratamento de doenças do trato gastrintestinal.
  • Médico colonoscopista: médicos especialistas em realizar exames e tratamentos por via endoscópica, isto é, através de um tubo, geralmente flexível, e dotado de uma câmera e instrumentos, capaz de percorrer o cólon.
  • Rádio-oncologista ou Radioterapeuta: médico que trata do câncer utilizando radiações através de fontes seladas.
  • Oncologista Clínico: médico que trata do câncer com remédios como quimioterapia, hormonioterapia e imunoterapia.
  • Médico Intervencionista: médico que realiza procedimentos focais minimamente invasivos, guiados por imagens do paciente. 
  • Médico Nuclear: médico que trata pacientes utilizando radiações provenientes de fontes não seladas.

Outros especialistas poderão participar do time de tratamento, incluindo enfermeiras, psicólogos, assistentes sociais, especialistas em nutrição, especialistas em reabilitação, e outros profissionais da saúde.

 

Decisão do Tratamento

A escolha do tratamento para o câncer colorretal depende de uma série de variáveis, e é importante discutir com os médicos os objetivos e  efeitos colaterais possíveis. São coisas importantes para serem consideradas:

  • O estágio e grau do tumor
  • Idade do paciente e expectativa de vida
  • Outras doenças que a paciente possua
  • A chance de cura ou qual benefício o tratamento trará
  • Expectativas do paciente

Idealmente, para a decisão do tratamento é importante consultar toda a equipe médica para conhecer as melhores opções possíveis para o seu caso.

 

Opções de Tratamento- Câncer de Cólon

A depender do estágio da doença, há diversas opções de tratamento.

  • Cirurgia

A cirurgia é a principal modalidade de tratamento do câncer de cólon sem metástases. A papel do cirurgião é de suma relevância, indo desde estabelecer a hipótese de câncer através da história e exame físico do paciente, da requisição e realização de exames subsidiários e biópsias, passando pela ressecção com finalidade curativa do fragmento de intestino acometido pelo tumor.

No tratamento do câncer de cólon pode ser realizada colectomia com linfadenectomia, de maneira aberta convencional, ou através de videolaparoscopia, ou ainda por via laparoscópica robô-assistida. 

Em algumas situações pode ser necessária a realização de colostomia, isto é, criar um caminho alternativo para que o conteúdo do intestino saia do corpo. 

Algumas situações podem exigir ainda a realização da retirada de fragmentos do fígado ou pulmão, quando a doença se alastrou para estes lugares.

Cirurgia Laparoscópica Assistida por Robô

 

  • Colonoscopia

Através da colonoscopia pode-se avaliar e realizar biópsias da região do cólon acometida pelo tumor, além de marcação que ajude o cirurgião a localizar a lesão. Em casos iniciais de câncer de cólon, através da colonoscopia ,é possível realizar a polipectomia e ressecção de mucosa por via endoscópica.

 

Colonoscopia

 

  • Tratamentos Medicamentosos/ Sistêmicos

Enquanto a cirurgia foca diretamente em tratar o tumor e adjacências, a terapia medicamentosa geralmente é recomendada para melhorar as taxas de cura, sendo o oncologista clínico o responsável por avaliar e determinar quais medicações podem ajudar mais. 

Em casos nos quais a paciente seja tratada com intenção curativa , a quimioterapia pode ser empregada de maneira a diminuir as chances da doença voltar.

Naqueles pacientes metastáticos, cuja doença já é sistêmica, a terapia medicamentosa tem o papel principal, de maneira a tratar todo o corpo.

 

  • Radioterapia

A radioterapia possui um papel limitado no tratamento local do câncer de cólon. Alguns estudos retrospectivos demonstraram aumento do controle local com o uso da radioterapia após cirurgia, especialmente naqueles tumores muito avançados localmente (T4) ou com fístula.

A radioterapia pode ser empregada ainda no sentido de tratar metástases hepáticas ou pulmonares em pacientes que não possam ser operados.

Outro uso comum é no sentido de paliar sintomas como dor, sangramento, compressão, dentre outros.

 

  • Medicina Nuclear

O médico nuclear, no Brasil, é o responsável por escolher a dose de radiação a ser administrada em pacientes com metástases hepáticas, através de fontes não seladas de Ítrio-90, em um procedimento chamado radiembolização. Para esta administração geralmente conta com o apoio do médico intervencionista, que cria o trajeto para que a radiação chegue no local desejado.

 

  • Medicina Intervencionista

O médico intervencionista exerce diversos papéis nos cuidados ao paciente com câncer de cólon, que varia desde realizar biópsias de metástases, realizar ablações térmicas ou elétricas de metástases, realizar marcações em órgãos como o fígado para a realização de radioterapia, ou ainda cateterizar vasos para a realização de radioembolização ou quimioembolização.

Ablação por radiofrequência de metástase hepáticas

 

Opções de Tratamento- Câncer de Reto

A depender do estágio da doença, pode-se utilizar cirurgia, tratamento sistêmico, radioterapia ou outra modalidade.

  • Cirurgia

A cirurgia é a principal modalidade de tratamento do câncer de reto sem metástases. A papel do cirurgião, assim como no câncer de cólon, é o de estabelecer a hipótese de câncer através da história e exame físico do paciente, da requisição e realização de exames subsidiários e biópsias, passando pela ressecção com finalidade curativa do tumor.

No tratamento do câncer de reto, a depender do estágio, pode ser realizada a microcirurgiaendoscópica transanal (TEM), a cirurgia transanal minimamente invasiva (TAMIS), a retossigmoidectomia com excisão do mesorreto, a amputação abdominoperineal do reto, de maneira aberta convencional, ou através de videolaparoscopia, ou ainda por via laparoscópica robô-assistida. 

Em algumas situações pode ser necessária a realização de colostomia, isto é, criar um caminho alternativo para que o conteúdo do intestino saia do corpo. 

Algumas situações podem exigir ainda a realização da retirada de fragmentos do fígado ou pulmão, quando a doença se alastrou para estes lugares.

 

  • Colonoscopia

Através da colonoscopia pode-se avaliar e realizar biópsias da região do reto acometida pelo tumor Em casos iniciais de câncer de reto, através da colonoscopia , é possível realizar a polipectomia.

 

  • Tratamentos Medicamentosos/ Sistêmicos

Enquanto a cirurgia foca diretamente em tratar o tumor e adjacências, a terapia medicamentosa geralmente é recomendada para melhorar as taxas de cura, sendo o oncologista clínico o responsável por avaliar e determinar quais medicações podem ajudar mais. 

Em casos nos quais a paciente seja tratada com intenção curativa , a quimioterapia pode ser empregada antes ou após a cirurgia de maneira a diminuir as chances da doença voltar. Também é muito utilizada associada ã radioterapia, de maneira a melhorar os resultados desta.

Naqueles pacientes metastáticos, cuja doença já é sistêmica, a terapia medicamentosa tem o papel principal, de maneira a tratar todo o corpo.

 

  • Radioterapia

A radioterapia possui um papel importante no tratamento do câncer retal. Pode ser utilizada antes da cirurgia, para diminuir as taxas de recidiva e diminuir o tamanho do tumor, de maneira a permitir uma ressecção mais adequada. Pode ser utilizada depois da cirurgia, naqueles pacientes cujo tumor possua fatores adversos, que aumentem a chance de recidiva. Muitas vezes é utilizada em conjunto com a quimioterapia.

Em algumas situações a radioterapia combinada à quimioterapia pode levar ao desaparecimento completo do tumor. Quando isso ocorre, ou se pode optar por realizar a cirurgia de qualquer maneira, ou se pode realizar uma observação armada, de maneira que o paciente seja operado ao menor sinal de recidiva.

A radioterapia pode ser empregada ainda no sentido de tratar metástases hepáticas ou pulmonares em pacientes que não possam ser operados.

Outro uso comum é no sentido de paliar sintomas como dor, sangramento, compressão, dentre outros.

 

  • Medicina Nuclear

O médico nuclear, no Brasil, é o responsável por escolher a dose de radiação a ser administrada em pacientes com metástases hepáticas, através de fontes não seladas de Ítrio-90, em um procedimento chamado radiembolização. Para esta administração geralmente conta com o apoio do médico intervencionista, que cria o trajeto para que a radiação chegue no local desejado.

 

  • Medicina Intervencionista

O médico intervencionista exerce diversos papéis nos cuidados ao paciente com câncer de cólon, que varia desde realizar biópsias de metástases, realizar ablações térmicas ou elétricas de metástases, realizar marcações em órgãos como o fígado para a realização de radioterapia, ou ainda cateterizar vasos para a realização de radioembolização ou quimioembolização. 

 

E como funciona a radioterapia?

Existem algumas técnica de radioterapia que podem ser empregadas:  

-Teleterapia: É a técnica mais utilizada de radioterapia, envolvendo o uso de radiação (geralmente raios-X) de maneira focada, para matar as células tumorais, em um aparelho chamado Acelerador Linear. O tecido sadio circunjacente pode ser afetado também, porém as células normais possuem maior capacidade de se curar dos efeitos da radiação do que o tumor. Novas tecnologias em radioterapia, como o IMRT e o VMAT, também permitem a diminuição da dose de radiação nos órgãos de risco pélvicos. Tradicionalmente o tratamento dura cerca de 5- 30 sessões, podendo ser associada à quimioterapia.

A teleterapia pode ainda ser empregada na paliação de pacientes com sintomas locais, metástases, ou no tratamento ablativo de oligometástases.

 

Acelerador Linear

 

-Braquiterapia: Envolve o uso de radiação através de fontes radioativas que são empregadas para tratar diretamente o tumor através de aplicadores temporários. Estes aplicadores são colocados pelo ânus, com o paciente sedado ou anestesiado. É utilizada como uma maneira a dar mais dose de radiação, buscando a erradicação do tumor, podendo ser realizada de forma exclusiva ou após a teleterapia, sendo empregadas geralmente de 2 a 5 sessões.

 

-Radioterapia Intraoperatória: Envolve o uso de radiação através de teleterapia ou braquiterapia, sendo empregada durante a cirurgia, de maneira a diminuir o risco do tumor voltar.

Radioterapia Intraoperatória

 

Etapas para a realização da radioterapia

Uma vez já havendo a indicação da radioterapia para a paciente com câncer de colorretal pelo médico rádio-oncologista, existem passos a serem realizados antes do início efetivo do tratamento, o que pode muitas vezes levar cerca de uma ou duas semanas, a depender da complexidade do que necessita ser realizado. Sabe-se que há ansiedade do paciente para o início rápido do tratamento do câncer, mas para haver boas chances de cura os procedimentos precisam ser bem feitos.

- Exames→ não é raro que o médico rádio-oncologista necessite de mais exames, tais como ressonância magnética, PET, dentre outros, para a correta definição do local a ser tratado, e também para melhor visualização de estruturas muito sensíveis a radiação. Estes exames podem ser pedidos antes do tratamento e durante o tratamento.

- Tomografia de Simulação→ para a realização do planejamento do tratamento é necessária a realização de uma tomografia no próprio serviço de radioterapia onde o doente será tratado. A fim de imobilizar o paciente e reproduzir o posicionamento no dia-a-dia de tratamento, poderão ser utilizados apoios para os pés, para os joelhos, ou realizada a confecção de um tipo de colchão que se amolda ao formato do corpo da paciente (VacFix ou Alpha-Craddle). Após a realização do exame, o paciente é dispensado para ir para casa e aguardar a convocação para o tratamento.

- Planejamento do Tratamento→ é uma etapa que é feita sem o paciente estar presente. As imagens adquiridas na tomografia de simulação são transferidas para um sistema computadorizado, e nele o médico rádio-oncologista definirá as regiões a serem tratadas e as regiões que não podem receber doses elevadas de radiação. Uma vez feito isto, os dosimetristas e físicos médicos elaboram um plano de como o Acelerador Linear (máquina de radioterapia) se comportará para alcançar os objetivos estabelecidos pelo médico. Estando pronto o plano, ele é revisto pelo rádio-oncologista, que aprova o plano ou sugere novas modificações, até a aprovação final.

- Controle de Qualidade→ nesta etapa é verificado se o que foi planejado do sistema computadorizado pode ser realizado de maneira igual na máquina de radioterapia.

- Tratamento→ o paciente então é convocada e inicia o tratamento no Acelerador Linear. A administração da radiação é realizada pelo técnico/ tecnólogo em radioterapia, com cada sessão de radioterapia durando entre 10 e 30 minutos. Existem vários esquemas de tratamento que podem ser  realizados, a ser definido pelo rádio-oncologista conforme o caso. Durante o tratamento o paciente deve passar semanalmente em consulta com o  médico rádio-oncologista, e muitas vezes com outros membros da equipe multiprofissional. 

 

Efeitos Colaterais da Radioterapia

Os efeitos colaterais dependem da região sendo tratada, da dose de radiação utilizada e da sensibilidade individual da paciente à radiação. O efeitos podem ser divididos entre agudos e crônicos. Os agudos, quando aparecem, costumam ocorrer por volta da segunda ou terceira semana de tratamento, podendo persistir por até 2 meses após o término da radioterapia. Os crônicos aparecem meses ou anos após o término da radioterapia. 

No tratamento do câncer colorretal, vale a pena citar:

  • Irritação da bexiga com aumento da vontade de urinar
  • Irritação da uretra, havendo ardor ao urinar
  • Irritação do intestino, com cólicas, pressão no reto ou diarreia
  • Fadiga, na qual você se sente cansada grande parte do tempo
  • Pode haver perda de pêlos na região púbica, que pode ser permanente ou temporária
  • Esterilidade (incapacidade de ter gestação), secura vaginal, e menopausa precoce em mulheres.
  • Incapacidade de ejacular, e disfunção erétil, em homens.
  • Sangramento é um efeito que pode acontecer meses/ anos após a radioterapia, podendo ocorrer junto com as fezes ou junto com a urina

 

Se experimentar efeitos colaterais durante o tratamento ou após, não deixe de avisar o médico rádio-oncologista, pois podem existir medicamentos e/ou procedimentos que podem resolver ou mitigar os sintomas.

Referências:

https://www.inca.gov.br/

https://www.rtanswers.org


O melanoma ocular é o um câncer extremamente raro, com uma incidência estimada de 5 a 10 novos casos por milhão de pessoas.É proveniente de células que produzem melanina (pigmento que dá cor a pele, e também está presente no olho).
A região do olho mais comum de ocorrer este câncer é em uma camada chamada de coróide, mas também pode afetar outras regiões do olho como a íris ou o corpo ciliar.


Regiões do olho que podem ser acometidas pelo melanoma


Mas, por que este tipo de câncer acontece?

As causas para o aparecimento do melanoma ocular não são muito claras.
São fatores de risco ter a pele branca com dificuldade para bronzear, olhos claros, pacientes que possuam a Síndrome de Nevus Displásico, melanocitose ocular ou algumas mutações genéticas.


Quais são os sintomas do melanoma ocular?

A maior parte dos melanomas oculares são descobertos em exames de rotina com o oftalmologista. Uma parte dos pacientes podem apresentar sintomas como diminuição ou deformações do campo visual, moscas volantes (pontos escuros flutuando na visão) ou flashes visuais.


Quais médicos tratam o melanoma ocular?

O melanoma ocular, a depender de seu estágio, é tratado por um time de especialistas médicos, incluindo:

  • Oftalmologista: especialistas no tratamento de doenças oculares
  • Rádio-oncologista ou Radioterapeuta: médico que trata do câncer utilizando radioterapia/ radiações ionizantes
  • Oncologista clínico: médico que trata do câncer com remédios como quimioterapia, hormonioterapia e imunoterapia

Outros especialistas poderão participar do time de tratamento, incluindo enfermeiras, psicólogos, assistentes sociais, físicos, especialistas em nutrição,
especialistas em reabilitação, e outros profissionais da saúde.


Decisão do Tratamento

A escolha do tratamento para o melanoma ocular depende de uma série de variáveis, e é importante discutir com os médicos os objetivos e efeitos colaterais possíveis. São coisas importantes para serem consideradas:

  • Expectativa de vida
  • Outras doenças que o paciente possua
  • O estágio e tamanho do tumor
  • A chance de cura ou qual benefício o tratamento trará

Idealmente, para a decisão do tratamento, é importante consultar o oftalmologista especializado em casos oncológicos, o rádio-oncologista e o oncologista clínico para conhecer as opções possíveis para o seu caso, além de realizar os estadiamento da doença.


Tratamento

Existem algumas opções de tratamento para o melanoma ocular, a depender das características do tumor.

  • Cirurgia   

Até os anos 1970 a enucleação era o tratamento padrão do melanoma ocular, mas estudos retrospectivos comparando esta cirurgia com a radioterapia não demonstram nenhuma vantagem em sobrevida de uma sobre a outra.

Desta maneira a enucleação fica reservada para algumas situações especiais, como tumores muito grandes, extensão extraescleral importante, glaucoma neurovascular, descolamento grande da retina ou preferência do paciente.

  • Termoterapia transpupilar

Também chamada de hipertermia por laser, é utilizada apenas em tumores de até 3 mm de espessura, e pode estar associada a complicações importantes, com uma taxa de recidiva de 30% em 3 anos.

  • Terapia fotodinâmica

Pouco utilizada, consiste na injeção de uma substância fotossensibilizante seguida da aplicação de luz em uma frequência que ativa esta substância, havendo a formação de radicais livres que provocam necrose tumoral. Não é efetiva para tumores grandes.

  • Fotocoagulação por Laser

Também é pouco utilizada, pois pode levar a efeitos adversos significantes, sendo as recidivas locais comuns.

  • Radioterapia

Braquiterapia: Envolve o uso de radiação através de fontes radioativas que são empregadas para tratar diretamente o tumor, através de umimplante temporário, realizado pelo oftalmologista, com auxílio do rádio-oncologista. Vários materiais radioativos podem ser utilizados, sendo o mais comum o Iodo-125. O Rutênio-106 pode ser utilizado para o tratamento de tumores pequenos. Geralmente o material radioativo é colocado em um molde (placa), e esta placa é fixada no globo ocular por um determinado período de tempo (2- 7 dias).
As taxas de controle da doença com esta técnica giram em torno de 90- 95%.

Imagem demonstrando a placa de braquiterapia posicionada adjacente ao melanoma intraocular

Teleterapia com partículas carregadas: Fora do Brasil o uso de radioterapia com prótons, íons de carbono ou íons de hélio é a segunda forma de tratamento mais utilizada para o melanoma ocular. Possui taxa de controle semelhante à braquiterapia, porém com riscos de complicação diferentes. Esta tecnologia não está disponível no Brasil

Teleterapia com Fótons: também chamada de radioterapia estereotática ablativa, pode ser empregada no tratamento do melanoma ocular, com controle similar a outras técnicas de radioterapia, mas com taxas de complicação superiores.

  • Terapia Medicamentosa

Em casos em que o paciente apresente metástases, isto é, a doença tenha acometido também outro lugar do corpo, é necessária uma terapêutica com drogas, conduzida pelo oncologista clínico. Atualmente é mais utilizada a imunoterapia em casos de melanoma, mas também podem ser empregadas outras drogas-alvo ou quimioterapia.

 
Etapas para a realização da Braquiterapia

Uma vez já diagnosticado o melanoma de coróide pelo oftalmologista capacitado na realização de braquiterapia, é importante a consulta realizada pelo médico rádio-oncologista, pois existem passos a serem realizados antes do início efetivo do tratamento.
O papel do médico rádio-oncologista/ radioterapeuta será de:

- Avaliação de Exames e do Paciente→ É importante o conhecimento das características do tumor para o planejamento do tratamento, além de saber o estágio da doença, se está localizada ou não, conhecer comorbidades do paciente, dentre outros.

- Planejamento do Tratamento→ Esta etapa é realizada sem a presença do paciente. Para a realização do planejamento do tratamento são necessárias informações a respeito do tumor (tipo, tamanho, localização no olho) e sobre a atividade das fontes radioativas a serem utilizadas. Desta forma será escolhido o melhor molde/ placa para o tratamento, a escolha de dose, e o cálculo do período que o paciente deverá ficar com o implante para dar a dose desejada. Nesta etapa o médico rádio-oncologista conta com o apoio de uma equipe de física-médica.

- Implante da Placa→ Normalmente o paciente é internado no mesmo dia do procedimento, e é encaminhado ao Centro Cirúrgico. Lá, para maior segurança, preconizamos a realização de anestesia geral. O médico oftalmologista estão realizará o implante da placa, que será fornecida já montada, após a aprovação do plano pelo rádio-oncologista.

Placas utilizadas para a colocação de sementes radioativas e implantes na braquiterapia oftálmica

- Internação→ Após o implante é realizado um curativo, e o(a) paciente é encaminhado(a) ao quarto, onde ficará internado(a) pelo período necessário para dar a dose de radiação. Em algumas situações, ao invés do(a) paciente ficar internado(a), ele(a) pode voltar para casa durante este período.

- Retirada da Placa→ Após decorrer o período necessário, o(a) paciente vai novamente ao Centro Cirúrgico para retirada da placa, e é realizado um novo curativo, havendo então a alta hospitalar.

- Seguimento→ O seguimento geralmente é realizado pelo médico oftalmologista, que de tempos em tempos realizará um verificação da evolução do tumor. É esperado que o tumor regrida ao longo do tempo, até alcançar seu tamanho mínimo, tornando-se uma cicatriz.


Efeitos Colaterais da Radioterapia

Os efeitos colaterais dependem da região do olho a ser tratada, da dose de radiação utilizada e da sensibilidade individual do paciente à radiação. No tratamento do melanoma ocular, vale a pena citar:

  • Secura ocular
  • Catarata
  • Danos a retina ou a esclera
  • Perda de campo visual

Se experimentar efeitos colaterais durante o tratamento ou após, não deixe de avisar o médico oftalmologista e o rádio-oncologista, pois podem existir medicamentos e/ou procedimentos que podem resolver ou mitigar os sintomas.

A neoplasia maligna de colo uterino é o terceiro câncer mais comum encontrado nas mulheres, quando excluídos os cânceres de pele não melanoma, com uma estimativa de 16.710 novos casos em 2020 no Brasil.
O tipo mais comum de câncer que acomete o colo uterino é o carcinoma de células escamosas (ou carcinoma espinocelular), sendo a infecção pelo vírus HPV (uma doença sexualmente transmissível) responsável por mais de 90% dos casos.


Mas, o que é o colo uterino?

O colo do útero é uma porção de tecido em forma de cilindro que conecta a vagina e o útero, estando localizado na parte mais inferior do útero, sendo constituído primariamente de tecido fibromuscular.
A parte do colo uterino que pode ser visto durante o exame ginecológico chama-se ectocervix. Nele há uma abertura central, conhecida como orifício externo. O endocervix, ou canal endocervical, é um canal através do colo uterino, indo do orifício externo até o útero.
O colo uterino produz um muco que muda de consistência durante o ciclo menstrual, de maneira a prevenir ou promover a gravidez.
Durante o parto, o colo uterino dilata-se para permitir a passagem do bebê. Durante a menstruação o colo uterino abre-se um pouco para permitir a passagem do fluxo menstrual.

 

Colo Uterino

 

Quais médicos tratam o câncer de colo uterino?


Dependendo das características do paciente e do tumor, diferentes especialistas médicos podem fazer parte da equipe de tratamento, incluindo:

 

  • Ginecologista/ Cirurgião Oncológico: cirurgiões especialistas no tratamento de doenças do sistema urinário e do sistema reprodutor feminino
  • Rádio-oncologista ou Radioterapeuta: médico que trata do câncer utilizando radiações.
  • Oncologista Clínico: médico que trata do câncer com remédios como quimioterapia, hormonioterapia e imunoterapia.


Outros especialistas poderão participar do time de tratamento, incluindo enfermeiras, psicólogos, assistentes sociais, especialistas em nutrição, especialistas em reabilitação, e outros profissionais da saúde.

 

Decisão do Tratamento


A escolha do tratamento para o câncer de colo uterino depende de uma série de variáveis, e é importante discutir com os médicos os objetivos e  efeitos colaterais possíveis. São coisas importantes para serem consideradas:

  • O estágio e grau do tumor
  • Idade da paciente e expectativa de vida
  • Outras doenças que a paciente possua
  • A chance de cura ou qual benefício o tratamento trará
  • Expectativas da paciente


Idealmente, para a decisão do tratamento é importante consultar o ginecologista/ cirurgião oncológico, o rádio-oncologista e o oncologista clínico para conhecer as melhores opções possíveis para o seu caso.

 

Opções de Tratamento


A depender do estágio da doença, pode-se utilizar cirurgia, radioterapia e/ou tratamento sistêmico.

  • Cirurgia
    A cirurgia é uma das modalidades de tratamento do câncer de colo uterino. A papel do ginecologista é de suma relevância, indo desde estabelecer a hipótese de câncer através da história e exame físico da paciente, da realização do exame Papanicou e biópsias, passando pela ressecção do tumor em si.
    A extensão da cirurgia para retirada do tumor também depende da extensão da doença. Pode-se realizar em casos mais iniciais a conização do colo uterino (retirada de parte do colo uterino) ou a traquelectomia radical (retirada do colo uterino). Em casos um pouco mais avançados pode ser realizada a histerectomia radical (retirada do útero e anexos) com linfadenectomia, podendo ser realizada de maneira aberta convencional, ou através de videolaparoscopia, ou ainda por via laparoscópica robô-assistida.

 


Cirurgia Laparoscópica Assistida por Robô

 

  • Radioterapia

Em casos mais avançados, cuja a cirurgia não seja a terapia de escolha, pode ser realizada a radioterapia. Geralmente são utilizadas duas técnicas associadas:


-Teleterapia: É a técnica mais utilizada de radioterapia, envolvendo o uso de radiação (geralmente raios-X) de maneira focada, para matar as células tumorais, em um aparelho chamado Acelerador Linear. O tecido sadio circunjacente pode ser afetado também, porém as células normais possuem maior capacidade de se curar dos efeitos da radiação do que o tumor. Novas tecnologias em radioterapia, como o IMRT e o VMAT, também permitem a diminuição da dose de radiação nos órgãos de risco pélvicos. Tradicionalmente o tratamento com finalidade curativa dura cerca de 25- 30 sessões, sendo associada à sessões de braquiterapia.
Naquelas pacientes já operadas, e cujo risco da doença voltar seja elevado, a radioterapia adjuvante (após a cirurgia) pode ser utilizada como forma de minimizar este risco. A teleterapia pode ainda ser empregada na paliação de pacientes com sintomas locais, metástases, ou no tratamento ablativo de oligometástases.

 

Acelerador Linear- Aparelho de Teleterapia

 

-Braquiterapia: Envolve o uso de radiação através de fontes radioativas que são empregadas para tratar diretamente o tumor através de aplicadores temporários. Estes aplicadores são colocados pela vagina, com a paciente sedada ou anestesiada, sendo usualmente empregadas uma sonda intrauterina e um  aplicador em contato direto com o colo uterino. É utilizada como uma maneira a dar mais dose de radiação após a teleterapia, sendo empregadas geralmente de 3 a 5 sessões.
Em algumas situações especiais pode ser empregada após a cirurgia, ou de maneira paliativa.

 

 

Aplicador de Braquiterapia- Sonda e Anel

 

Aplicador de Braquiterapia- Sonda e Anel posicionados no interior da paciente- corte sagital

 

  • Tratamentos Medicamentosos/ Sistêmicos
    Enquanto a cirurgia e a radioterapia focam diretamente em tratar o tumor e adjacências, a terapia medicamentosa geralmente é recomendada para melhorar as taxas de cura, sendo o oncologista clínico o responsável por avaliar e determinar quais medicações podem ajudar mais.
    Em casos nos quais a paciente seja tratada com intenção curativa com radioterapia, a quimioterapia é empregada de maneira a potencializar o efeito da radiação.
    Naquelas pacientes metastáticas, cuja doença já é sistêmica, a quimioterapia tem o papel principal, de maneira a tratar todo o corpo.

 

Etapas para a realização da radioterapia

Uma vez já havendo a indicação da radioterapia para a paciente com câncer de colo uterino pelo médico rádio-oncologista, existem passos a serem realizados antes do início efetivo do tratamento, o que pode muitas vezes levar cerca de uma ou duas semanas, a depender da complexidade do que necessita ser realizado. Sabe-se que há ansiedade do paciente para o início rápido do tratamento do câncer, mas para haver boas chances de cura os procedimentos precisam ser bem feitos.

- Exames→ não é raro que o médico rádio-oncologista necessite de mais exames, tais como ressonância magnética, PET, dentre outros, para a correta definição do local a ser tratado, e também para melhor visualização de estruturas muito sensíveis a radiação. Estes exames podem ser pedidos antes do tratamento e durante o tratamento.

- Tomografia de Simulação→ para a realização do planejamento do tratamento é necessária a realização de uma tomografia no próprio serviço de radioterapia onde a doente será tratada. A fim de imobilizar a paciente e reproduzir o posicionamento no dia-a-dia de tratamento, poderão ser utilizados apoios para os pés, para os joelhos, ou realizada a confecção de um tipo de colchão que se amolda ao formato do corpo da paciente (VacFix ou Alpha-Craddle). Após a realização do exame, a paciente é dispensada para ir para casa e aguardar a convocação para o tratamento.

- Planejamento do Tratamento→ é uma etapa que é feita sem a paciente estar presente. As imagens adquiridas na tomografia de simulação são transferidas para um sistema computadorizado, e nele o médico rádio-oncologista definirá as regiões a serem tratadas e as regiões que não podem receber doses elevadas de radiação. Uma vez feito isto, os dosimetristas e físicos médicos elaboram um plano de como o Acelerador Linear (máquina de radioterapia) se comportará para alcançar os objetivos estabelecidos pelo médico. Estando pronto o plano, ele é revisto pelo rádio-oncologista, que aprova o plano ou sugere novas modificações, até a aprovação final.

- Controle de Qualidade→ nesta etapa é verificado se o que foi planejado do sistema computadorizado pode ser realizado de maneira igual na máquina de radioterapia.

- Tratamento→ a paciente então é convocada e inicia o tratamento no Acelerador Linear. A administração da radiação é realizada pelo técnico/
tecnólogo em radioterapia, com cada sessão de radioterapia durando entre 10 e 30 minutos. Existem vários esquemas de tratamento que podem ser
realizados, a ser definido pelo rádio-oncologista conforme o caso. Durante o tratamento a paciente deve passar semanalmente em consulta com o
médico rádio-oncologista, e muitas vezes com outros membros da equipe multiprofissional. Muitas vezes, no decorrer do curso de teleterapia, ou
logo após, serão realizadas as sessões de braquiterapia.

 

Efeitos Colaterais da Radioterapia

Os efeitos colaterais dependem da região sendo tratada, da dose de radiação utilizada e da sensibilidade individual da paciente à radiação. O efeitos podem ser divididos entre agudos e crônicos. Os agudos, quando aparecem, costumam ocorrer por volta da segunda ou terceira semana de tratamento, podendo persistir por até 2 meses após o término da radioterapia. Os crônicos aparecem meses ou anos após o término da radioterapia.
No tratamento do câncer de colo uterino, vale a pena citar:

  • Irritação da bexiga com aumento da vontade de urinar
  • Irritação da uretra, havendo ardor ao urinar
  • Irritação do intestino, com cólicas, pressão no reto ou diarreia
  • Fadiga, na qual você se sente cansada grande parte do tempo
  • Pode haver perda de pêlos na região púbica, que pode ser permanente ou temporária
  • Esterilidade (incapacidade de ter gestação) e menopausa precoce geralmente ocorrem após a radioterapia.
  • As pacientes podem experimentar secura vaginal ou estreitamento da vaginal com o decorrer do tempo.
  • Sangramento é um efeito que pode acontecer meses/ anos após a radioterapia, podendo ocorrer junto com as fezes ou junto com a urina


Se experimentar efeitos colaterais durante o tratamento ou após, não deixe de avisar o médico rádio-oncologista, pois podem existir medicamentos e/ou procedimentos que podem resolver ou mitigar os sintomas.

Referências:
https://www.inca.gov.br/
https://www.rtanswers.org/

 

 

 

 

O câncer de próstata é o câncer mais comum encontrado nos homens, quando excluídos os cânceres de pele não melanoma, com uma estimativa de 65.840 novos casos em 2020 no Brasil. Estima-se também que um em cada seis homens desenvolverão câncer de próstata durante a sua vida.

Mas, o que é a próstata?

A próstata é uma pequena glândula que é parte do sistema reprodutivo masculino, tendo aproximadamente o tamanho de uma noz, ficando logo abaixo da bexiga e anterior ao reto. A próstata produz parte do fluído que compõe o sêmen.

Quais médicos tratam o câncer de próstata?


Dependendo das características do paciente e do tumor, diferentes especialistas médicos podem fazer parte da equipe de tratamento, incluindo:

  • Urologista: cirurgiões especialistas no tratamento de doenças do sistema urinário e do sistema reprodutor masculino
  • Rádio-oncologista ou Radioterapeuta: médico que trata do câncer utilizando radioterapia
  • Oncologista clínico: médico que trata do câncer com remédios como quimioterapia, hormonioterapia e imunoterapia.

Outros especialistas poderão participar do time de tratamento, incluindo enfermeiras, psicólogos, assistentes sociais, especialistas em nutrição,
especialistas em reabilitação, e outros profissionais da saúde.

 

Decisão do Tratamento


A escolha do tratamento para o câncer de próstata depende de uma série de variáveis, e é importante discutir com os médicos os objetivos e efeitos colaterais possíveis. São coisas importantes para serem consideradas:

  • Idade do paciente e expectativa de vida
  • Outras doenças que o paciente possua
  • O estágio e grau do tumor
  • A chance de cura ou qual benefício o tratamento trará
  • Expectativas do paciente

Idealmente, para a decisão do tratamento é importante consultar o urologista, o rádio-oncologista e o oncologista clínico para conhecer as opções possíveis para o seu caso.

 

Opções de Tratamento


Existem várias opções de tratamento para o câncer de próstata, e muitas vezes é necessária a associação de modalidades terapêuticas para um melhor resultado.

  • Cirurgia
    A cirurgia é uma das modalidades de tratamento do câncer de próstata. A papel do urologista é de suma relevância, indo desde estabelecer a hipótese de câncer através da história e exame físico do paciente, da realização de biópsias, passando pela ressecção da próstata em si.
    A cirurgia para retirada da próstata chama-se prostatectomia, podendo ser realizada de maneira aberta convencional, ou através de videolaparoscopia, ou ainda por via laparoscópica robô-assistida.

Cirurgia Laparoscópica Assistida por Robô

 

  • Radioterapia
    • Teleterapia: É a técnica mais utilizada de radioterapia, envovendo o uso de radiação (geralmente raios-X) de maneira focada, para matar as células tumorais, em um aparelho chamado Acelerador Linear. O tecido sadio circunjacente pode ser afetado também, porém as células normais possuem maior capacidade de se curar dos efeitos da radiação do que o tumor. Novas tecnologias em radioterapia, como o IMRT e o VMAT, também permitem a diminuição da dose de radiação nos órgãos em torno da próstata. Tradicionalmente o tratamento com finalidade curativa dura cerca de 35-40 sessões, mas a depender das características do tumor, dos sintomas urinários e comorbidades do paciente, e também da escolha do doente, pode-se realizar o tratamento em cerca de 20 sessões (hipofracionamento) ou 5- 6 sessões (ultrahipofracionamento). Naqueles pacientes já operados, e cuja doença voltou, a radioterapia pode ser utilizada como um tratamento de resgate com finalidade curativa. A radioterapia pode ainda ser empregada na paliação de pacientes com metástases, ou no tratamento ablativo de oligometástases (até 5 metástases).
    • Braquiterapia: Envolve o uso de radiação através de fontes radioativas que são empregadas para tratar diretamente a próstata, através de implantes temporários ou definitivos.
      Pode ser utilizada como terapia única ou ainda como uma maneira a dar mais dose de radiação após a teleterapia, dependendo do estágio do tumor, características da próstata e sintomas do paciente.

 

 Acelerador Linear- Aparelho de Teleterapia

 

  • Tratamentos Medicamentosos
    • Enquanto a cirurgia e a radioterapia focam diretamente em tratar o tumor, a terapia medicamentosa geralmente é recomendada para melhorar as taxas  de cura, sendo geralmente o oncologista clínico responsável por avaliar e determinar quais medicações podem ajudar mais. Existem duas categorias principais:
      • A Hormonioterapia, ou Deprivação Androgênica, ou Bloqueio Androgênico, ou ainda Terapia de Deprivação Hormonal, consiste em diminuir os níveis  sanguíneos do hormônio masculino, a testosterona, ou bloquear os receptores de testosterona nas células, ou ainda bloquear a produção de  andrógenos intracelulares. Pode ser utilizada conjuntamente com a radioterapia em alguns casos, ou para combater a doença metastática.
      • A Quimioterapia tem a habilidade de destruir células tumorais por diferentes métodos, podendo algumas vezes ser necessária a combinação de uma ou mais drogas. Geralmente é utilizada em casos metastáticos.

 

Etapas para a realização da radioterapia

Uma vez que já houve indicação da radioterapia para o paciente com câncer de próstata pelo médico rádio-oncologista, existem passos a serem realizados antes do início efetivo do tratamento, o que pode muitas vezes levar cerca de uma ou duas semanas, a depender da complexidade do que necessita ser realizado. Sabe-se que há ansiedade do paciente para o início rápido do tratamento do câncer, mas para haver boas chances de cura os procedimentos precisam ser bem feitos, sendo preparo semelhante realizado nos melhores centros oncológicos do mundo.

- Exames→ não é raro que o médico rádio-oncologista necessite de mais exames, tais como ressonância magnética, PET, dentre outros, para a correta definição do local a ser tratado, e também para melhor visualização de estruturas muito sensíveis a radiação.

- Tomografia de Simulação→ para a realização do planejamento do tratamento é necessária a realização de uma tomografia no próprio serviço de radioterapia onde o doente será tratado. A fim de imobilizar o paciente e reproduzir o posicionamento no dia-a-dia de tratamento, poderão ser utilizados apoios para os pés, para os joelhos, ou realizada a confecção de um tipo de colchão que se amolda ao formato do corpo do paciente (VacFix ou Alpha-Craddle). Após a realização do exame, o paciente é dispensado para ir para casa e aguardar a convocação para o tratamento.

- Planejamento do Tratamento→ é uma etapa que é feita sem o paciente estar presente. As imagens adquiridas na tomografia de simulação são transferidas para um sistema computadorizado, e nele o médico rádio-oncologista definirá as regiões a serem tratadas e as regiões que não podem receber doses elevadas de radiação. Uma vez feito isto, os dosimetristas e físicos médicos elaboram um plano de como o Acelerador Linear (máquina de radioterapia) se comportará para alcançar os objetivos estabelecidos pelo médico. Estando pronto o plano, ele é revisto pelo rádio-
oncologista, que aprova o plano ou sugere novas modificações, até a aprovação final.

- Controle de Qualidade→ nesta etapa é verificado se o que foi planejado do sistema computadorizado pode ser realizado de maneira igual na
máquina de radioterapia.

- Tratamento→ o paciente então é convocado e inicia o tratamento no Acelerador Linear. A administração da radiação é realizada pelo técnico/ tecnólogo em radioterapia, com cada sessão de radioterapia durando entre 10 e 30 minutos. Existem vários esquemas de tratamento que podem ser realizados, a ser definido pelo rádio-oncologista conforme o caso. Durante o tratamento o paciente deve passar semanalmente em consulta com o médico rádio-oncologista, e muitas vezes com outros membros da equipe multiprofissional.

 

Efeitos Colaterais da Radioterapia

Os efeitos colaterais dependem da região sendo tratada, da dose de radiação utilizada e da sensibilidade individual do paciente à radiação. O efeitos podem ser divididos entre agudos e crônicos. Os agudos, quando aparecem, costumam ocorrer por volta da segunda ou terceira semana de tratamento, podendo persistir por até 2 meses após o término da radioterapia. O crônicos aparecem meses ou anos após o término da radioterapia. No tratamento do câncer de próstata, vale a pena citar:

  • Irritação da bexiga com aumento da vontade de urinar
  • Irritação da uretra e inchaço da próstata, vendo a ardor ao urinar
  • Irritação do intestino, com cólicas, pressão no reto ou diarreia
  • Fadiga, na qual você se sente cansado grande parte do tempo 
  • Pode haver perda de pêlos na região púbica, que pode ser permanente ou temporária
  • Os pacientes podem experimentar dificuldade de atingir ereção a longo prazo
  • Sangramento é um efeito que pode acontecer meses/ anos após a radioterapia, podendo ocorrer junto com as fezes ou junto com a urina

Se experimentar efeitos colaterais durante o tratamento ou após, não deixe de avisar o médico rádio-oncologista, pois podem existir medicamentos e/ou procedimentos que podem resolver ou mitigar os sintomas.

Referências:
https://www.inca.gov.br/
https://www.rtanswers.org/