Um assunto pouco abordado dentro do Outubro Rosa, mês de conscientização sobre o Câncer de Mama, é o tumor maligno de mama que ocorre em homens! Sim, homens também podem desenvolver câncer de mama, e eles estão em uma situação paradoxal: por um lado eles sofrem com uma doença que afeta cerca de 60.000 pessoas por ano no Brasil; por outro lado possuem uma doença muito rara, já que em apenas 1% dos casos o sexo masculino é acometido.

Assim como nas mulheres, o risco de câncer de mama também aumenta com a idade. Outros fatores de risco que predispõe ao seu desenvolvimento são o consumo de álcool, falta de exercícios físicos e predisposição genética. Outros possíveis fatores predisponentes específicos  para o sexo masculino são a criptorquidia (condição na qual o testículo não desceu de maneira correta para a bolsa escrotal), inflamação do testículo ou inflamação do epidídimo.

Como, diversamente das mulheres, não há exames de rastreio aconselhados para a descoberta da doença, muitas vezes o  diagnóstico se dá em fases mais avançadas, apesar dos sinais e sintomas poderem ser vistos precocemente. De maneira geral, os  tumores de mama em homens podem ser sentidos já em um estágio relativamente inicial, sendo palpável um nódulo duro e indolor  próximo ao mamilo. Existem outros sintomas, como retrações nos mamilos ou saída de secreções líquidas. Em estágios avançados  pode haver dor óssea induzida por metástases no esqueleto, perda de peso, tosse, falta de ar e amarelamento (icterícia) da  pele. Metástases linfonodais (gânglios ou ínguas) nas axilas podem causar inchaço dos braços.

A maior parte da experiência em diagnóstico e terapia provém das pesquisas em mulheres, e é transferida para os homens nesta condição.

Tratamento- Linhas Gerais

Os pacientes com câncer de mama que não possuem metástases à distância podem geralmente ser conduzidos de duas maneiras.

Em uma delas realiza-se inicialmente a cirurgia, com retirada parcial (setorectomia, quadrantectomia, etc) ou total da mama (mastectomia), acompanhada da avaliação dos gânglios da axila, seguido da retirada destes se necessário. Após a cirurgia, dependendo dos fatores encontrados, o paciente deverá ou não receber ciclos de quimioterapia. Em pacientes cujos tumores sejam volumosos e a ressecção seja considerada difícil, opta-se muitas vezes por iniciar o tratamento pela quimioterapia, e com sua redução procede-se com a cirurgia. A radioterapia usualmente é a última etapa do tratamento destes
pacientes, sendo utilizada sempre que é realizada uma cirurgia conservadora ou em casos de tumores mais avançados.

Os pacientes com câncer de mama que possuem metástases à distância são tratados de maneira diversa, tendo a quimioterapia/hormonioterapia como principais modalidades. A depender dos sintomas muitas vezes também podem ser empregadas a  cirurgia e a radioterapia.

Tratamento- Radioterapia

A radioterapia é um dos pilares no tratamento do câncer de mama, oferecendo uma diminuição nas taxas de recidiva local da doença e um aumento na sobrevivência tardia dos pacientes.

O processo começa com uma consulta ao rádio-oncologista, que escutará a história do paciente, realizará o exame físico e analisará os exames laboratoriais, de imagem e anatomopatológicos. Se necessário, o rádio-oncologista requisitará outros exames que ache pertinente. Em posse de todas as informações, ele decidirá se está indicada a radioterapia ou não, a fim de oferecer o melhor benefício ao doente, e explicitará quais são os potenciais efeitos colaterais. Após a indicação do tratamento, o paciente passará por um processo chamado pré-simulação, realizado no Tomógrafo Simulador, no qual haverá a definição do posicionamento para o tratamento, e a aquisição de imagens para o planejamento. Em posse destas imagens, o médico e uma equipe multiprofissional (físicos-médicos, dosimetristas, tecnólogos) realizarão o planejamento, fase técnica na qual são definidos os alvos e os órgãos de risco, com a colocação dos feixes de radiação, análise de distribuição de doses e controle de qualidade. Somente após esta fase, que pode levar alguns dias, é que se inicia o tratamento.

É importante lembrar que a radioterapia não é um tratamento padrão que dependa apenas de máquinas, devendo-se sempre buscar um profissional rádio- oncologista capacitado, que trate seus pacientes em um local que disponha de boa tecnologia e de outros bons profissionais. Assim como os cirurgiões, os rádio-oncologistas oferecem um tratamento local, e diferenças na definição das áreas a serem tratadas, das áreas a serem protegidas, e na análise dos planos pode levar a diferentes resultados, tanto no controle da doença como na toxicidade exibida pelo paciente. As técnicas de tratamento mais utilizadas estão descritas abaixo:

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